De alma cheia

Foi assim que acabei o dia e noite de hoje.
Foi o dia em que oficializei a minha saída da empresa onde trabalho há dez anos.
Tenho sentido uma avalanche de emoções, é incrível. Tenho pena de sair, adoro a equipa da qual faço parte, gosto do trabalho que faço, não há nada de negativo a apontar... cresci aqui, aprendi muito, consegui realizar sonhos... valeu mesmo a pena.
Por outro lado estou ansioso por abraçar o novo projecto que me fez tomar esta decisão, e é uma mudança muito importante para a minha vida por tratar-se de um negócio próprio.
Neste processo de saída, houve 3 dias marcantes: o dia em que falei com as primeiras pessoas sobre a minha decisão - os meus chefes, o dia em que assinei a carta, e o dia de hoje em que finalmente consegui falar pessoalmente com os patrões e Director Geral.
Quando me sentei á mesa com os meus chefes, o dificil foi começar. Mas a partir daí, foi tão bom conversar com eles. Perceber que tinham mesmo pena e que valorizam o meu trabalho, mas ao mesmo tempo deram-me todo o apoio. E isso é tão importante...
No dia da carta, tudo foi tranquilo até ao momento em que assino a folha. Aí aquilo bateu-me. Senti os dez anos a cairem em cima de mim. Fiquei nervoso, os olhos molhados. Bolas, eu estava mesmo a fazer aquilo.
Hoje ao falar com os meus patrões e com o Director Geral, ouvi coisas que nunca pensei vir a ouvir. Acho que nunca tive a verdadeira noção de quanto estas pessoas valorizam o meu trabalho. No fundo eu tenho a noção que me empenho naquilo que faço, dou o meu melhor, faço tudo para ser o melhor profissional que posso ser, e por isso calculava que gostassem do meu trabalho, mas que se um dia tivessem de abdicar de mim, que viesse o próximo. Mas não. Obviamente que não sou insubstituivel, não é isso. Mas fizeam questão de me fazer perceber que realmente valorizam muito não só o meu trabalho e profissionalismo, mas também a pessoa que sou.
E tudo isto, todas estas 3 fases que aconteceram até agora, (ainda faltam tantas e tantas despedidas por esse Portugal fora, para não falar do ultimo dia que já sei o quanto vai ser duro emocionalmente...) acabaram por ser a melhor recompensa que eu poderia ter nestes dez anos de trabalho.
Para ajudar, hoje foi o jantar de final de ano da empresa (é sempre depois porque trabalhamos muito até final do ano) e recebi tanto apoio, tanto carinho, tanta força... foi realmente muito, mas muito bom.
Uma frase que me marcou:
"Quando você se for embora, as portas não vão ficar abertas....... vão ficar escancaradas."


